O trabalho arqueológico começa esta segunda-feira no Alto da Pedrada, um recinto fortificado, em bom estado de conservação, localizado em Arcos de Valdevez, na Serra do Soajo, em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês. O objetivo científico passa por validar a hipótese formulada pelo coletivo de investigação romanarmy.eu, na qual este sítio arqueológico é identificado como um acampamento militar romano de carácter temporário. A confirmar-se esta hipótese, este será o primeiro localizado no Norte de Portugal e perto da fronteira galega. Os trabalhos arqueológicos integram-se no projeto Finisterrae financiado pela Comissão Europeia através de uma bolsa individual Marie Skłodowska-Curie liderada por João Fonte (Universidade de Exeter) e decorrerão entre 3 e 8 de agosto.
Em Setembro, no âmbito do mesmo projeto europeu, também será realizada uma intervenção arqueológica no recinto de Lomba do Mouro, localizado entre os concelhos de Melgaço (Viana do Castelo, Portugal) e Verea (Ourense). Ambos os recintos foram localizados pelo coletivo romanarmy.eu entre 2017 e 2018, juntamente com o de Chaira da Maza (Lobeira, Ourense), demonstrando desta forma a excepcional relevância da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés para compreender a presença do exército romano no Noroeste da Península Ibérica. Estes sítios arqueológicos foram publicados pela primeira vez na revista científica de referência Mediterranean Archaeology and Archaeometry em 2019.
Alto da Pedrada
O recinto do Alto da Pedrada está localizado a uma altitude de 1416 metros, em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês. As condições especiais de isolamento do sítio arqueológico, longe das estradas e dos núcleos de povoamento da zona, facilitou a preservação de grande parte do recinto fortificado e até de três das características portas em clavícula. O seu paralelo mais próximo no Noroeste Peninsular é o acampamento Romano de Penedo dos Lobos, em Manzaneda (Ourense), investigado por romanarmy.eu no Verão de 2018. O recinto, de pequenas dimensões (1,5 hectares) é delimitado por um muro de pedra de dois metros de largura conservado em três dos lados e adapta-se à topografia local. O sítio foi identificado em 2018 através da análise dos dados do LIDAR fornecidos pela Comunidade Intermunicipal do Alto Minho. A intervenção é financiada integralmente pelo Município de Arcos de Valdevez e conta com a colaboração direta da empresa Era-Arqueologia. O trabalho de campo procurará datar e contextualizar historicamente este sítio através da cultura material recuperada e da recolha de amostras com vista à sua datação absoluta no âmbito de uma colaboração com o Grupo de Investigação C2TN do Instituto Superior Técnico de Lisboa.
O trabalho de campo será transmitido em direto através do Facebook Live e as várias ferramentas de comunicação de romanarmy.eu, permitindo que vizinhos e partes interessadas conheçam o progresso do projeto muito rapidamente por parte da equipa de arqueólogos.
O projeto conta também com a colaboração de diferentes entidades locais: as Juntas de Freguesia de Soajo, Cabreiro e Gondoriz, pertencentes ao concelho de Arcos de Valdevez e das Comissões de Compartes dos Baldios de Soajo, Cabreiro e Gondoriz, proprietárias dos terrenos. Os trabalhos foram aprovados pela Direção Geral do Património Cultural e pela Direção Regional da Cultura do Norte. O Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas deu também o seu parecer positivo.